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Cenas de “The Graduate” (1967), de Mike Nichols:

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02:08 [Hello darkness]

Tinha 17 anos quando decidi, numa véspera de teste, ver o filme “The Graduate”. Tinha “roubado” o DVD de casa do meu pai e já passava do tempo limite de ele começar a suspeitar; tinha de ser naquela noite.

Vi-me ao espelho no Benjamin Braddock. Descrever este filme é para mim quase que uma sinopse de todo o meu secundário: perdida numa área que cismei ser a que queria, apática com cadeiras que não me motivavam, um espaço temporal onde apenas a incógnita sobre o meu futuro se apresentava tão nítida quanto água.

Marquei a cena em que os pais de Ben durante a sua festa de graduação/regresso a casa: o exato momento onde duas amigas dos pais lhe perguntam sobre o que vai fazer a seguir, ao qual Ben responde “I was going to go upstairs for a minute”. Uma das senhoras ri-se e retorque “I meant with your future. Your life.” e a resposta de Ben “Well that’s a little hard to say.”; de seguida, Ben corre nervoso, sobe as escadas e esconde-se no porto seguro do seu quarto.

Benjamin Braddock é aqui uma figura que passa por uma fase de amadurecimento; um adolescente adulto, inserido numa sociedade com valores que se denotam nos seus pais e amigos dos mesmos, onde o correcto é estudar, arranjar trabalho, casar. O seu percurso, parado, acaba por ser mal-direccionado e seduzido por esta geração mais adulta, como no seu “affair” com uma amiga dos pais e também nas pequenas conversas que troca com o marido da mesma e outros amigos dos pais.

Vindo da faculdade e de quem se espera grandes feitos devido ao seu percurso académico, aquilo que Benjamin demonstra é exatamente o oposto do esperado: apático e perdido, arrastando-se pelas que imagina serem as suas últimas semanas antes de assumir esse lugar de “adulto com responsabilidades”. Tal como um dos posters do filme denota “This is Benjamin. He his a little worried about his future.”, assistimos a um jovem na sua demanda pessoal de crescer e eventualmente encontrar-se.

O que me intrigou mais no filme é que nem há um aprofundamento muito grande deste questionamento da parte de Benjamin Braddock, pelo menos explícito. Parece até que o foco foge para este triângulo amoroso entre ele, a Mrs. Robinson e a sua filha Elaine. Pelo contrário, são as suas expressões ao longo do filme que marcam os sentimentos por detrás da máscara de um jovem aparentemente trapalhão, aluado e nervoso.

Outra coisa que não se esquece neste filme é a banda sonora, do duo Simon & Garfunkel, onde as letras “Hello darkness my old friend” acabam quase por fazer parelha com o estado de espírito do jovem Benjamin.

O sentimento suado e comichoso que o percorre, não só física como psicologicamente, estavam também em mim naquela altura. Uma pressão constante de satisfazer os pais, que financiam os estudos, fortemente “colada” a uma procura existencial de um presente futuro, do que nos espera mais à frente e apenas encontrar um grande e gordo nada que não nos deixa passar.

 

Nome: The Graduate (1967)

Director: Mike Nichols

Produção: Lawrence Turman

Screenplay: Calder Willingham e Buck Henry e basiado no livro de Charles Webb

Música: Simon & Garfunkel, Dave Grusin

Elenco: Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katherine Ross

Ps: se vos fizer ver o filme, teve 8.0 no IMDb (“deve ser bom”)

 

 

16:28

‘The Big Bright Green Pleasure Machine’ de Simon & Garfunkel:

[ser estudante de madrugada!]

 

15:51

“Ghost Stories” de Pavel Buchler

“Photography is dominated by amnesia: not by forgetting but by an impossibility of recollection. The past, the very matter of the photographic image, cannot be recovered from beyond the horizon of the photographic event – the image is always a fatal accident, an end, a terminus, an exit point, never the point of entry.”

10:43

“O Homem é como uma criança que brinca com a natureza. Quando se farta dos mesmos brinquedos, substitui-os por outros.”

03:04 [No ar]

Com atraso mas chega. Nasci e cresci na cidade mas pertenço ao campo, ao verde, ao ar que é azul e à água que vem directamente da fonte que tem à anos um aviso “Imprópria para consumo”. Por isso, ver imagens de pessoas com máscaras na cara em Beijing enquanto ‘turisteiam’ ou dizerem-me “olha hoje não vai dar para ver nem o nascer nem o pôr do sol porque o ar está demasiado poluído, talvez amanhã”, faz mais do que apenas confusão.

Chegámos ao futuro ainda no presente, conseguimos viajar para fora do – até agora – único lugar onde respiramos, conseguimos encontrar água em Marte, conseguimos curar doenças que em tempos eram pestes devastadoras, conseguimos criar-nos em série e com metal, conseguimos o que até ontem classificávamos de impossível.

Conseguimos destruir-nos. Aquilo que damos por garantido, como o sol que brilha ou o céu que é azul, é hoje uma incógnita. A 12horas de distância de mim o céu é cinzento e toca-se a poucos metros de altura, é espesso e irrespirável, e o sol nem vê-lo. Aos poucos avançamos para um desconhecido e apagamos o conhecido, na esperança de vir a encontrar uma qualquer maneira de escapar à morte e nos tornarmos eternos.

Não querendo entrar pelas temáticas da religião, vamos admitir que quando morremos, um corpo, feito de massa e afins, vai para a terra (bem, até aqui até é verdade). Ambos acabam, temporalmente, por se fundir e, como as aulas de ciências do 4º ano, a planta irá a essa terra buscar alimento e, por processos de alimentação e fotossíntese, essa mesma terra virá a ser átomos de ar, ou seja o nosso corpo virá a espalhar-se pelo mundo. Só que o ar está poluído. Ups…

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Cotelo, Freguesia de Gosende (2015). Fotografada com a minha médio formato Nettar de 70 anos, a aproximadamente 1600 metros de altura, na ‘minha’ terra natal.

 

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Cotelo, Freguesia de Gosende (2015). Vista de casa através da minha Nettar.

 

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Sintra do Palácio de Seteais (2015). Fui dar um passeio de 6horas – a pé – com a minha 35mm analógica.

 

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Parque Natural de Sintra (2015). O mesmo passeio acima referido.

 

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Trevim, Lousã (2015). Desta vez o passeio foi maioritariamente de carro até aos 1200 metros de altura, com a minha 35mm analógica.

 

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Trevim, Lousã (2015). Idem.

19:50

‘Kind of Magic’ de Queen, do seu último álbum enquanto banda, devido à doença de Freddy Mercury:

01:24 [Agora]

Design é design. Design que te pede para fazer cartazes, logótipos, flyers disto e daquilo é um (tipo de) Design. Design que te faz pensar, duvidar, refutar, acreditar, e/ou acima de tudo questionar o que te envolve, o espaço e tempo em que te encontras, isso para mim é (talvez O) Design.

Irrepetível é haver um curso onde os estudantes são postos frente a frente com questões fulcrais do dia-a-dia, dúvidas do futuro e do mercado de trabalho, do papel de estudante num momento em que o governo ainda nem se decidiu levantar. Não estou aqui para discutir o que é o papel do estudante numa faculdade de direito, de economia, medicina, etc, mas sim o papel do estudante em si, o papel do estudante (de design).

Já são dois anos seguidos que me desloco à exposição de finalistas do curso de Design de Comunicação da FBAUL, dois anos em que se percebe que o design vai além do conceitos “giros” e projectos visualmente atraentes. É aqui que se vê e se toca no estudante enquanto revolucionário, contestador da sua situação presencial: no final de uma licenciatura e o que virá a seguir, num tempo como o de agora.

Há vozes. Não mudam o mundo, não mudam a educação nem provavelmente mudarão a sua situação presente. No entanto, no interior de cada aluno sinto que algo muda; já não há mais um olhar ao redor de apatia ou de aceitação inocente sem contestação, há voz. Voz que se defende e acima de tudo se defenderá para um futuro profissional melhor. Aqui, para mim, não me importa tanto a parte estética, que poderia dar azo a todo um outro post, até porque ao fim de três anos, estes licenciados esperam já dominar de algum modo o deisgn em geral (se é que isto será possível), mas sim ler os textos individuais, ver os vídeos, ler os cartazes e perceber.

 

22:54

Trailer do filme ‘Milk’, 2008:

02:31 [I AM ALL OF US!]

Quando a história acontece noutro tempo, é difícil para quem, temporalmente, vem posteriormente relacionar-se com ela. No entanto, quando pisas o mesmo chão que essa mesma história, quando vês com os teus olhos o que essa história viu, se bem que com anos pelo meio, a cláusula do tempo apaga-se por instantes.

São Francisco, centro de expressão, de liberdade, de defesa dos direitos de minorias e de igualdade. Movimentos que marcaram desde antes de nasceres, começaram ali, em ruas e bairros icónicos. Falar do movimento hippie e da sua contracultura enquanto se passeia pela Haight Street, com o cheiro a marijuana a sobrepor-se a húmus, almôndegas vegetarianas acabadas de fazer e sumos de fruta naturais, e pensar que Jimmy Hendrix pisou aquele mesmo cimento diariamente, quase parece surreal mas a sensação de te veres fora do teu corpo acontece, ali.

É num cruzamento de passadeiras às cores que percebes ‘já estou no Castro’; as cores que hoje fazem a bandeira do movimento LGBT estão nas paredes, nas casas, em murais, no chão, em bandeiras gigantes. Harvey Milk vivia ali, a poucos metros de distância deste cruzamento, numa pequena casa de dois andares, onde tudo começou, onde hoje é apenas uma loja simbólica ao mesmo, e o andar superior apenas às paredes pertence.

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Castro, São Francisco (2015). Tirei esta fotografia com o telemóvel enquanto andava “perdida” à 4horas pela cidade. Apercebi-me de que tinha encontrado o Castro pelas cores.

Foi em 1973 que Harvey Milk abriu a sua loja na Castro Street, habitando no andar de cima; ali, naquelas quatro paredes, começaram a desenrolar-se reuniões políticas e unidades de registo de eleitores dos moradores do bairro e daquela zona. ‘The Mayor of Castro Street’, um dos nomes pelo qual ficou conhecido, enveredou num processo de defensão das minorias que cada vez mais se iam albergando ali e, em 77, foi eleito supervisor do distrito. Apesar do percurso pequeno que teve, Milk obteve grandes vitórias, não só dentro da área de direitos mas também nos transportes públicos e em eleições distritais.

‘CANDLELIGHT WALK in memory of Supervisor Harvey Milk’ lia-se nos papéis afixados pelas ruas no dia 27 de Novembro de 1978, data em que Milk e George Moscone, presidente da câmara, foram assassinados. Nessa noite, 40 000 São Franciscanos encontraram-se e prosseguiram a pé até à Câmara Municipal.

‘Harvey Milk is dead. Thousands of us who respected and loved him will gather tonight to remember him, to share our grief and love for him, and to rededicate ourselves to the issues for which he struggled, lived and died. COME, BRING A CANDLE, AND MARCH WITH US FROM CASTRO ST. AND MARKET ST. TO CITY HALL. 8:30 TONIGHT.’

Mais de 30 anos depois, muita ‘coisa’ apareceu. Alguém que saía à rua para literalmente dar “o corpo ao manifesto” transforma-se, no agora, num personagem de facebook, x mil seguidores, x milhões de ‘gostos’, em menos de um mês torna-se famoso e poderá ter já agendado uma aparência num Você na TV ou algo do género (não estando aqui a tentar tecer, indirectamente, juízos de valor relativamente a este tipo de programas). “Os tempos mudam” e sim, aceitem, é um dogma. Mas os tempos mudam, as pessoas nem por isso – diria mais que se adaptam. Somos mais do que só pessoas, tornámo-nos máquinas, sentimentalistas sem sentimentos, executores, criadores, destruidores e, talvez, em tempos tenhamos apenas sido pessoas com um cheiro de algo mais por vir. E é normal, assim como uma espécie ‘não racional’, adaptar-se desenvolvendo processos que tornem mais fácil as suas tarefas diárias.

No entanto, o triste aqui é haver ainda necessidade de defender tão afincadamente as minorias que acima refiro; haver uma procura tão grande por denegrir, rebaixar, ou pior, alguém considerado estupidamente diferente. Mas como há mais ‘coisa’, há também mais informação. Eduquem-se, aprendam.

E com isto fujo ao tema. Portanto, creio que o fulcral será esta diferença tão grande entre o esforço que havia antes e tão pouco que se dá a cara hoje, tanto do lado de quem defende, como, por vezes mais, do lado de quem está contra. Ele já cá não está e, para quem não tem grandes crenças na vida após a morte, não sabe o que raio continuou a ser feito em seu nome mas nós estamos cá para testemunhar os factos. Cresci a ser questionada sobre a liberdade, desde as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica até às famosas aulas teóricas de Design de Comunicação e senti, com 21 anos, o que é uma liberdade livre, onde cada um é como cada qual e isso sem dúvida nenhuma que se deve a Harvey Milk (e aos que se-barra-o seguiram). Hoje não sei…

 

ps: para a próxima alongarme-ei menos.